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A ACENDER A PAIXÃO PELA BATERIA E PERCUSSÃO EM PORTUGAL

  • Freddy Rodrigues

"Um microfone 'mau' bem colocado pode produzir resultados bem mais interessantes", freddy rodrigues

Atualizado: Mai 5

Nesta segunda coluna, damos as boas vindas a Freddy Rodrigues, CEO e fundador do Estúdio 2495 em Fátima. Junta-se à LusoDrums e a Colin Girod, para dar a conhecer a sua visão sobre o mundo da produção, desvendar mitos, dar dicas e muito mais sobre um mundo ainda pouco explorado e muito procurado actualmente pelos próprios bateristas!


Lê a coluna completa:

Saudações LusoDrummers!


Quem já trabalhou comigo sabe que tenho um nível de exigência sobre os microfones muito elevado e que procuro sempre subir a fasquia procurando microfones que superem aqueles com os quais trabalho no momento. Posto isto faço a mim próprio a pergunta:



“Trabalhas sempre com microfones desse nível?”


A resposta é um categórico não. Não somente por questões de “orçamento” (aquela jogada típica que todos os envolvidos conhecem de ir utilizando os melhores microfones nas partes que consideramos mais importantes deixando os “menos bons” para o “resto” ), mas muitas vezes intencionalmente. Fui colecionando para mim um conjunto de técnicas com microfones menos bons, sendo alguns mesmo considerados patinhos feios da industria, que neste momento são literalmente salva vidas nas minhas produções. Para além disso algumas delas conseguem, na minha opinião, representar a totalidade da bateria com um microfone. Claro que isto também vai depender muito do baterista e da sua capacidade de tocar para o microfone a bateria como um todo equilibrado. Talvez no futuro possamos falar aqui do que isso significa para mim. Um microfone mau bem colocado pode produzir resultados bem mais interessantes do que um grande microfone mal colocado.


Pensemos na comparação entre uma câmara FullHD e uma câmara Super 8 por exemplo. Há qualquer coisa de artístico, de interessante e hipnótico naquela imagem granulada que desfoca a luz. É sobre isso, aplicado a um micro, na vossa bateria, que vou tentar falar hoje.


Evidentemente que o close micking de todas as peças nas zonas de ataque das peles tem imensas vantagens. Todos nós fazemos isso. No entanto a bateria é um instrumento muito complexo e, por exemplo, uma tarola, irradia som pela pele de cima, pela pele de ressonância, pelos bordões, pelo casco, pelos aros, e pior do que tudo, de forma diferente a cada pancada. Um microfone apontado à pele de cima vai, maioritariamente captar, a pele de cima. Se multiplicarmos isto por todas as peças da bateria encontramos este problema multiplicado vezes sem conta.

Fig 1 - Microfone "mau" apontado para o aro da tarola

Em todas as minhas sessões de gravação de bateria eu coloco um microfone “mau” a apontar para o aro de baixo da tarola lateralmente (Fig 1). Eu chamo-lhe o microfone “Roberto Carlos”, porque foi, discutivelmente (pouco), o melhor lateral esquerdo da história. Podem usar o microfone que quiserem, se for bom muito bem, mas se for mau tanto melhor. Pode ser um dinâmico ou um condensador, pode até ser um gravador tipo Zoom (passo a publicidade embora eu tenha um Tascam). Até pode ser, e eu nunca experimentei por isso não me responsabilizo pelos resultados, o telemóvel. Se não tiverem suporte, ou se quiserem (eu faço muitas vezes), podem colar o microfone com fita no tripé de pratos de choque. No meu caso, quando quero usar um microfone de condensador eu uso um AKG C1000S. Quando opto por um dinâmico uso dos dois AKG D1200E que me foram dados por umas freiras por estarem a estragar-se numa cave escura. Viver em Fátima tem destas coisas.


Microfone AKG C1000S
Microfone AKG D1200E

No caso do C1000S, por ser de condensador, o som é mais aberto, com mais conteúdo de alta frequência e mais sala. No caso do D1200E o som é mais fechado, com menos conteúdo de alta frequência, menos sala e mais (ainda!) lo-fi. Podem, por exemplo, colar a pinça do micro que escolherem (ou o que tiverem), no tripé do prato de choques para o poderem orientar em ângulo

para cima ou para baixo. Quanto mais para baixo, em princípio, terão mais ataque do bombo, quanto mais para cima, mais ataque da tarola. Ajustem como quiserem, gravem e ouçam. A posição que indiquei primeiro, para mim, é a mais equilibrada. Se tudo correr como eu espero, escutarão como vão obter um som muito interessante que representa muito daquilo que é o som complexo da bateria.

Às vezes é bom sair da caixa e não pensar num microfone colocado como microfone de tarola, ou microfone de bombo, ou microfone de timbalão etc, e sim como um microfone de bateria. One Mic Drums é do caraças! Nos nossos próximos encontros continuaremos a desenvolver mais um pouco esta técnica.


Entretanto se quiserem partilhar resultados podem contactar pelo email:

2495estudio@gmail.com


Boas gravações!

Freddy