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A ACENDER A PAIXÃO PELA BATERIA E PERCUSSÃO EM PORTUGAL

  • José Luís Dias

"É CRUCIAL UM baterista TER interesse pela produção do seu trabalho" marcelo aires [entrevista]

Na próxima sexta feira dia 12 de Março, Rei Bruxo lança o seu single "Miragem" e o Marcelo concedeu-nos uma entrevista a explicar as vantagens do próprio baterista estar por detrás do processo de gravação e captação!

Foto: Sofia Faria Fernandes | Rei Bruxo

Baterista profissional e vários cursos superiores em percussão, bateria e educação, Marcelo Rúben Aires é conhecido pelos seus trabalhos internos bem como trabalhos como freelancer para muitas bandas um pouco por todo mundo. Faz também parte do St. Dominic's Gospel Choir!


Um baterista ou percussionista tem sempre curiosidade, mesmo que pequena, sobre se deve ou não aprender ou no minimo tentar descobrir como gravar/produzir as suas próprias baterias. Neste single e como em muitos dos seus trabalhos, o Marcelo é responsável pela captação dos temas.


Sabe mais em baixo!


LD: COMO BATERISTA, COMO É ESTAR RESPONSÁVEL PELA GRAVAÇÃO DO TEU PRÓPRIO

SOM DE BATERIA PARA “MIRAGEM”?


MRA: Tem tanto de gratificante como de exigente, pois este acaba por ser um processo que requer, acima de tudo, responsabilidade e compromisso na sua execução para com a música e os meus colegas do projecto. Tenho total liberdade criativa na experimentação, mas da mesma forma tenho de garantir que todos os quadrantes da gravação são comportados (micagem, afinação, equilíbrio tímbrico, etc.) para que a conjugação com os demais elementos instrumentais e conceptuais do colectivo façam sentido como um todo – aqui também conto sempre com a preciosa ajuda do Ricardo Pinto, guitarrista no projecto, meu comparsa em tantas aventuras musicais.


LD: ESTA AUTONOMIA DEVIA SER APLICADA, OU PELO MENOS SER APLICADA DE ALGUMA FORMA

PELOS ATUAIS BATERISTAS PORTUGUESES (PELO MENOS POR QUEM TEM O GOSTO

PELA ÁREA DA PRODUÇÃO E DO SOM)?

MRA: Depende sempre dos contextos em questão, pois nada substitui o trabalho com um determinado produtor num estúdio ou local de captação próprio e a sua visão do produto como um todo – aprendi imenso com profissionais da área que me fizeram crescer como músico, fomentando a minha sensibilidade, criatividade e perspicácia, e da mesma forma me ajudaram a expandir horizontes relativamente às possibilidades técnicas ao nosso alcance nesse mesmo contexto de trabalho. De qualquer das formas considero absolutamente crucial que um baterista se interesse pela produção do seu próprio trabalho, se grave vezes e vezes sem conta e desta forma se descubra nas suas valências e fraquezas, educando-se. Aí a evolução será clara, e este poderá inclusive afirmar-se com uma personalidade mais vincada, com um som que é só seu, e desta forma fazer chegar o seu trabalho a muita mais gente como uma referência de valor.


LD: QUAL É A PRINCIPAL CARACTERÍSTICA QUE PODEMOS ESPERAR DA TUA BATERIA E

SONORIDADE NESTE SINGLE?


MRA: Profundidade sonora, acima de tudo. Creio que para este single decidimos explorar alguns caminhos diferentes, com maiores contrastes tímbricos e dinâmicos, numa gestão musical constante na abordagem técnica ao mesmo. É um tema com muito espaço, com cores muito distintas, onde um passo em falso pode ser a diferença entre algo totalmente disfuncional e o equilíbrio musical perfeito – resta dizer que estou mesmo muito orgulhoso do resultado final, e ansioso por finalmente o poder partilhar com todos vocês!



LD: QUAL É A HISTÓRIA POR DETRÁS DO NOME “MIRAGEM”? SE PUDERES RESPONDER!


MRA: Nas palavras da Sofia Fernandes (vocalista do projecto), esta letra fala sobre uma metrópole da actualidade que se esfuma diante dos nossos olhos, revelando o quão curto é o tempo do Homem na história do Universo. É uma Miragem situada algures entre o passado, o futuro e a alucinação.


LD: VOLTANDO, UM POUCO AO PROCESSO DE GRAVAÇÃO, SABEMOS QUE

PRODUZES IMENSO CONTÉUDO PARA BANDAS ESTRANGEIRAS, COMO É

SER RECONHECIDO PELO TEU TRABALHO?


MRA: É extremamente recompensador ter esta consideração e apreço por parte de tanta gente com que tive o privilégio de trabalhar ou simplesmente o meu trabalho inspirou – é um caminho longo, cheio de altos e baixos, mas que apesar de tudo nos motiva a lutar por desafios cada vez maiores. Sejam sempre sinceros com vocês mesmos na música, na forma como se expressam, na vossa humildade acima de tudo.


Sabe mais sobre o Marcelo e outros projetos como Sullen que na semana passada lançou também material aqui.