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A ACENDER A PAIXÃO PELA BATERIA E PERCUSSÃO EM PORTUGAL

  • Colin Girod

produtores: Construir um estúdio em casa/sala de estudo - por colin girod



"Na área do digital, onde qualquer instrumento pode ser tocado por um teclado midi, em que um músico com uma placa de som e um par de colunas pode misturar e masterizar numa casa de banho e tornar-se uma referência e vender milhões de álbum, será que é de loucos querer montar um “estúdio de gravação" em casa? SIM, é de loucos!


Este é um tópico que, invariavelmente todos os músicos com quem trabalho e outros que já

conhecem o meu trabalho, procuram saber a minha opinião e ideias sobre como montar uma sala de estudo agradável. Não vou falar de teoria acústica e de taxa de absorção das matérias e de volumetria. Há empresas e engenheiros claramente dedicados a este “nicho” de mercado.


Vou partilhar as conclusões às quais cheguei após ter estudado acústica e montado/idealizado três (3) “estúdios em casa” e alguns conselhos para elaborar uma sala de estudo confortável.


Estamos a falar de sistemas “Do It Yourself” com todas as limitações; medidas da sala a tratar, orçamento para a realização, tempo e saber fazer (com o tempo aprende-se).


A todos os entendidos e profissionais desta área, em nenhum caso pretendo desvalorizar o vosso conhecimento e a vossa arte. Sei que é preciso ser um excelente engenheiro para conseguir idealizar e realizar uma obra dessa de forma equilibrada e há profissionais que se dedicam a esta área específica, pelo que aconselho sempre a ouvir a opinião de quem tem experiência e trabalha nisto todos os dias.


As minhas dicas:


1. Eliminar paralelismos

2. Cortar cantos

3. A regra dos 3

4. Chão e teto.


Todos estes pontos têm igual importância!


1. Eliminar paralelismos


Começo por esta porque é provavelmente a mais fácil a aplicar. “Se tem uma casa muito antiga, como tantas por este País cheio de história, uma coisa é certa: Paralelismo não existe. Portanto menos um problema!!

O que eu quero dizer com isso é que duas superfícies paralelas tendem a refletir o som uma para a outra

(slap delay) e tem de ser tratado. No início comecei por tratar isto com absorção, porque é o mais eficiente e mais rápido. Após tratar desta forma (absorção) acabei por ter uma sala muito seca, o que pessoalmente não me apraz.


Aconselho o seguinte, nas paredes colocar móveis (por ex. com livros), quadros (com um pouco de espuma atrás e ligeiramente afastados da parede) ou tecido ondulado (tipo cortinado) e isso tudo de forma intercalados para ter o mínimo de paralelismo possível entre as paredes da sala.


Com o tempo invistam ou construam paneis acústicos, alguns só com absorção outros podem combinar absorção e difusão. Pode também colocar difusores; tudo isso tendo sempre em mente a regra dos 3 (mais à frente no artigo).


2. CORTAR OS CANTOS


O gesso “pladur” perfurado é um excelente material para cortar os cantos (verticais, numa primeira fase). Podem encher atrás do “pladur” perfurado com lã de rocha, lã de madeira ou

espuma absorvente ou então por um candeeiro por trás, o efeito de luz é porreiro!

Para os cantos com o teto é mais delicado. Implicam um pouco mais de trabalho. Uma das

soluções que ficou e que teve um resultado satisfatório foi de recortar uns triângulos de 20 a 25 cm por lado (em placas de poliéster) e de cola-los nos cantos entre as paredes e o teto (com cola quente) de forma intercalados.

Se decidirem construir ou comprar painéis, que sejam modulares e amovíveis porque nunca

vão acertar a primeira no som que pretendem e em segundo, sendo amovíveis consegue-se

facilmente testar e encontrar soluções para vários tipos de sonoridade (da sala).

3. "A REGRA DOS TRÊS"


O princípio da regra dos 3 é o seguinte. Para mim, para uma sala de captação ser confortável

(nem muito seca; nem muito viva) é preciso ter 3 tipos de superficiais diferentes e cada tipo de superfícies ocupar 1/3 do total das superfícies (33% +/-).

Temos superfícies com ABSORÇÃO, como o nome indica absorve o som. Quando o som bate na parede com absorção e volta, volta muito mais baixo(volume) segue alguns exemplos: espuma, almofadas, etc.


Temos superfícies REFLECTORAS quando o som bate na parede o som é refletido, mas com a mesma intensidade (volume) que ao início, por exemplo vidro, azulejos, betão, etc. Temos superfícies DIFRACTORAS quando o som bate na parede o som é refletido, mas em várias direções e com várias intensidades (volume) por exemplo, pedra, difusores, prateleira com livros, etc.


Para exemplificar, vamos dizer que a nossa sala tem por medidas 5 metros de comprimento por 3.5 metros de largura e 2.5 de altura (total de 17.5 m2 no chão) num total de 77,5 m2. Portanto respeitando a regra dos 3, temos 25,85 m2 por cada tipo de superfície.


Agora começa a piada, é impossível respeitar esta medida, todo o conceito agora é de encontrar o melhor compromisso.

4. CHÃO E TETO


A mais eficiente e mais velha técnica do Mundo! As carpetes da Avó! No entanto, se tiver a possibilidade de instalar um chão flutuante (por ser o mais acessível) aconselho o seguinte:


  • Colocar 3 camadas de fome (branco/ cerca de 8€ o rolo) intercalada com 3 camadas de cortiça (cerca de 15 €/ rolo) antes de colocar o chão.

  • Aplicar o chão de forma a que nunca toca nas paredes.

  • Colocar uns pedaços de silicone entre os limites do flutuante e as paredes para que o mesmo flutuante não se mexe e ajuda a diminuir as vibrações no resto da estrutura, portanto torna-se ligeiramente mais amigo da vizinhança.

Guardei o teto para finalizar porque aí é mais desafiante. Nem toda a gente pode furar, colar ou fixar coisas no teto. Aí vão duas soluções que encontrei, uma muito acessível e a outra mais cara um pouco.


A primeira…. (suspense…. Ruff de caixa!!!!) e tatata: é a espuma que se vende em qualquer website de material música e com alfinete de costura espetada no teto. A grande vantagem é que o buraco é tão pequeno que não obriga a nenhuma obra após tirar a espuma, em contrapartida o efeito acústico é quase nenhum! Estas espumas têm uma taxa de absorção pequena.


A segunda (mais cara um pouco) consiste em colocar 4 cabos de aço (o mais perto do teto possível com esticadores) que correm de uma parede a outra o que permite pôr uma espuma com uma densidade elevada junto ao teto.

Mais uma vez estes 4 pontos são todos interligados; quando se pensa num deles é preciso ter em mente os outros. Encontrar o melhor compromisso demora tempo, mas mutatis mutandis chega-se lá!

Abraço virtual!

Colin"

Colin GIrod, é CEO e fundador do estúdio MasterTape no Porto, dedentor de um currículo com colaborações desde Thundercat, The Cinematic Orchestra, Nick Mulvey, Gileno Santana, S. Pedro ou Rui Massena