A ACENDER A PAIXÃO PELA BATERIA E PERCUSSÃO EM PORTUGAL

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  • José Luís Dias

Jost Nickel - "Não te preocupes com todas as coisas que não sabes fazer. Vais aprender"

Jost Nickel é um dos novos bateristas emergentes da Alemanha. Como seus amigos e contemporâneos Benny Greb, Marco Minnemann e Anika Nilles (uma das suas alunas), Jost está a desenvolver estudos contemporâneos, em novas direções. Entramos em contato com Jost através do Francisco LIma. Agradecemos muito a ambos pela oportunidade. O objetivo desta entrevista é falar sobre o lançamento de seu último álbum, mas também um pouco sobre sua trajetória como baterista. Entrevista completa abaixo:




[LD]: Jost, obrigado mais uma vez por aceitar nosso convite para esta entrevista! É um prazer em partilhar o seu trabalho e seu recente álbum “The Check In”. O que é que o inspirou começar a tocar bateria?


Para mim não foi um baterista de uma banda famosa que me inspirou, mas simplesmente

um amigo de infância que tinha uma pequena bateria e tocava para mim quando eu tinha 10 anos

anos. Fiquei completamente deslumbrado com o que ouvi e desde então também queria tocar.


[LD]: Qual foi o ponto de viragem na sua carreira?


Eu não sinto que houve um ponto de viragem. Parecia mais uma evolução natural. Subindo as escadas, degrau por degrau, por assim dizer. Eu não tive aquele vídeo que foi viral. Uma coisa levou à outra.


[LD]: Qual foi o ponto mais díficil na sua carreira?


Acho que a parte mais difícil foi quando em 2020 tudo foi cancelado. Não era como eu

recebeu um único e-mail dizendo que todos os próximos shows serão cancelados. foi e-mail

após e-mail após e-mail. Naquela época eu ainda esperava que alguns shows ainda pudessem acontecer

o que foi uma coisa muito ingênua de se fazer, como todos sabemos agora.


[LD]: 2021 foi sinônimo de um novo álbum, “The Check In”. Qual é o significado por detrás

do nome?


O nome "The Check In" tem dois significados. Por um lado, os ouvintes podem fazer o "check in" da minha música e de mim como intérprete/escritor. Por outro lado, significa que eu olhe bem de perto para os detalhes da minha música e da maneira de tocar enquanto eu estava escrever e produzir o álbum.


[LD]: A percussão está presente no seu álbum. Rhani Krija, Max Grösswang, Stephan Maass, Farouk Gomati foram alguns dos nomes presentes. Como é que vê a relação direta de "irmandade" entre bateristas e percussionistas?


Adoro tocar com percussionistas com uma condição: eles precisam de ouvir. Eu acho que isso deveria ser óbvio, mas às vezes eu sinto que os percussionistas fazem isso mais difícil de tocar dinamicamente porque eles não prestam atenção. Todos os percussionistas do meu álbum são fantásticos. Eles ouvem, haha.


[LD]: Qual é a principal razão para, como baterista, criar um álbum?


Eu tinha todas essas ideias e quero provar a mim mesmo que posso fazer isso. Na verdade, é mais fácil para mim dizer, por que não o fiz. Eu sabia pelos meus livros o quanto essas coisas dão trabalho e também quantos problemas tens que resolver no caminho. Então, de certa forma, eu evitava todo o trabalho e também tinha medo dos muitos obstáculos.


Dito isto, é bom tê-lo feito e estou orgulhoso e muito feliz com o resultado. Há apenas muito poucas coisas que eu faria diferente agora e isso é principalmente, tocar menos em algumas das faixas.


[LD]: Portugal. Qual é a primeira coisa que pensa quando ouve a palavra “Portugal” pela

primeira vez? Como foi sua primeira experiência no Lavra em 2015?


Lavra em 2005 foi uma grande experiência. Grande festival, grande hospitalidade. estou

ansioso por voltar. A primeira coisa que pensei ao ouvir Portugal foi 'nata' porque, em Hamburgo/Alemanha, onde vivo, há muitos padarias portuguesas, que eu gosto muito.


[LD]: Sonor SSD 14"x6,25", não é um grupo de palavras desconhecido para você. Como foi a sensação em ter o seu modelo de tarola? Como é que um baterista pode alcançar esse tipo de "grande passo" na sua carreira?


Eu tinha essas ideias para a configuração e a aparência da tarola e apenas sugeri a construção de um "signature model" numa chamada via Zoom que tive com a malta da Sonor. Eles só dizeram 'sim' e foi isso. Fácil. Demorou um pouco, até que a tarola estivesse terminada. Mais longo do que eu esperava, para ser honesto.


[LD]: Anika Nilles & Benny Greb, dois dos mais promissores e favoritos, dos bateristas portugueses foram o seus alunos. Como foi vê-los progredir ao longo dos anos?


Conheci a Anika como minha aluna na universidade de música em Mannheim/Alemanha onde dou aulas. Naquela época ela já tinha um ótimo som e também uma ótima sensação. Ela pediu-me conceitos de "fill" porque disse que não sabia tocar nenhum. Eu sei que é difícil de acreditar quando a ouves tocar agora, com todas as suas explosões. Os conceitos que eu também ensino no meu "Fill Book", fizeram sentido para ela e realmente praticou mesmo muito. Na verdade, ela foi uma das poucas alunas que praticou, aquilo que eu lhes mostrei. Mas sabia que ela se tornaria tão famosa? Nem pensar!


Tive uma experiência semelhante quando estava a ensinar o Benny Greb. Ele também entendeu os meus conceitos muito rapidamente. Conversamos mais sobre ideias gerais de independência, tempo e exercícios de "click". Usar agrupamentos, ler textos e mover acentos, e também contar em voz alta, é uma parte muito importante para ganhar independência rítmica. Mas sabia que ele se tornaria tão

famoso, como se tornou? Acho que não!


[LD]: Tem planos para voltar a Portugal?


Havia planos para voltar a Lavra em 2020, mas como sabes, foi cancelado.

Eu adoraria voltar, como é óbvio!


[LD]: Tem algum conselho para jovens músicos que estão a tentar fazer um álbum a solo?


Sim: Basta fazê-lo. Começa hoje. Não te preocupes com todas as coisas que não sabes fazer. Vais aprender tudo isso no caminho. E o mais importante: Acaba. Liberta o teu trabalho. Desejo-te imensa sorte!


 

Jost foi nomeado "Best Clinician" pela Modern Drummer Magazine em 2016 e foi votado na lista da MusicRadar para os "the 10 best drum clinicians in the world" em 2016 e 2017. Ele escreveu artigos e workshops na Modern Drummer (EUA), Drummer (Reino Unido), Rhythm & Drums (Japão), Batterie (França), Drums & Percussion (Alemanha) e outras publicações.


Jost lançou dois livros best-sellers através da Alfred Publishing: "Jost Nickel's

Groove Book" (2015) e "Jost Nickel's Fill Book" (2017), que qualquer baterista de

qualquer nível encontrará beneficio.


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