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A ACENDER A PAIXÃO PELA BATERIA E PERCUSSÃO EM PORTUGAL

  • José Luís Dias

"Não esperes que a tua primeira música vá ser uma grande coisa", Samuel Oliveira em Entrevista

Tem 24 anos e mudou-se para UK em 2020, para desenvolver mais sua paixão pelo instrumento. Aluno de Diogo Leite (Prana) na "The House of Drummers, Samuel Oliveira, aceitou o nosso desafio e concedeu-nos esta entrevista para nos falar um pouco do seu percurso, da sua mudança para o Reino Unido, os seus projetos entre os quais o seu projeto a solo.



[LD]: Como surgiu esta paixão? Alguma inspiração específica?

A paixão começou por volta dos 7 anos. Numa festa de aniversário da minha prima uma banda chamada Celtibéria deu um concerto e eu passei a noite toda encostado a um muro atrás do baterista a vê-lo tocar. Ainda hoje tenho memórias dessa noite. De prenda de aniversário pedi uma bateria e em vez disso comecei a ter aulas com o próprio baterista da banda, César Oliveira. Não sei se a paixão começou aí mas definitivamente ganhei o interesse nesse momento.

A paixão começou uns anos mais tarde, quando descobri a banda Avenged Sevenfold, e fiquei maluco com o baterista The Rev. Vi tudo o que havia para ver dele no Youtube. Acho que foi o baterista que pela primeira vez me deu a ambição de “Eu quero tocar como ele”.


[LD]: Fala-nos um bocadinho da “The House of Drummers”. Como foi aprender com o Diogo Leite? A The House Of Drummers foi e será sempre a minha escola e o Diogo será sempre o meu professor.


É bom quando somos ensinados por pessoas que vemos como uma referência e o Diogo é uma delas, como baterista, como músico, como professor e como profissional. É uma das pessoas que mais me influenciou não só como músico mas também no meu gosto musical. Abriu-me portas a vários géneros de musica, deu-me a conhecer muitos bateristas, ensinou-me a ouvir e a tocar muita coisa.

Como professor: super exigente. Teve uma paciência de santo comigo mas nunca me deu “palmadinhas nas costas” nem “falinhas mansas” e dava-me na cabeça quando merecia. Devo-lhe um grande obrigado por isso. Foi graças a esta atitude dele que mantive força para chegar a casa e dedicar-me mais. Era ele que me punha no meu lugar e me mantinha humilde e trabalhador. Ainda hoje me vem à memória ensinamentos dele que só agora estou a perceber o que ele queria dizer.

[LD]: A decisão de mudança para UK. Foi uma decisão de minutos ou muito ponderada?

Ir para Inglaterra sempre foi um sonho, mais especificamente ir para Londres. Cheguei a ponderar ir em 2019 mas entre várias razões, uma delas era o facto de não me sentir preparado para este passo. Em vez disso, além da The House Of Drummers, tive aulas particulares de bateria na Jobra com o Miguel Sampaio, e de formação musical com o Rafael Araújo.

Isto para dizer que penso que foi uma ideia ponderada a minha vida toda, só não sabia quando ia chegar a altura certa.

[LD]: Quais os principais motivos para essa mudança?

A ambição é o que nos move e o meu sonho é conseguir viver da música. Londres é um mundo de oportunidades especialmente no que toca a artes por isso era para aqui que me queria mudar.

[LD]: A experiência até agora. Como está a ser essa viagem pela “terra de nossa majestade”? Superou as expectativas que tinhas em mente no início?


Superou em algumas coisas, desiludiu noutras. Melhorei imenso como músico graças a jam sessions. Comecei a tocar muito mais estilos de músicas, fui “obrigado” a ouvir e estudar outros géneros de música para poder acompanhar o resto da malta e acabei por conhecer pessoas de todo o mundo com influências e gostos diferentes. Tudo isso te dá um novo input.

Como estudante da ACM foi uma desilusão. Tinha expectativas de ter mais apoio dos professores e da escola em promover o trabalho dos alunos na industria da musica mas não é o caso. É triste dizer mas eles olham para nós como números, ninguém quer realmente ver se tens potencial. Se queres singrar e melhorar, tens de fazer muito mais do que aquilo que eles exigem de ti.

Sim, o canudo ajuda imenso para dar aulas no futuro mas dá-te um falso mérito. Não é por ires para lá que te tornas melhor músico. Não se aprende nada que não se aprenda na The House Of Drummers e tem um nível de exigência mais baixo do que a The House ou a Jobra.

[LD]: Resume-nos o teu dia-a-dia em Londres


Aulas. Estudar. Ensaios. Concertos. Jams. Gravar no estúdio. Concertos. Ensaios. Jams. Ensaios. Jams. Aulas. Reuniões de bandas. Jams. Estudar. Jams. Concerto. Jams. Vivo para isto. Não me chamem para mais nada porque por norma prefiro estar a fazer qualquer coisa ligada a música. E tenho vivido super feliz neste ritmo.

Estou agora a começar a trabalhar mas é um trabalho que não entra em colisão com o horário de musica, o que é perfeito.

[LD]: Tens um projeto chamado “Hello Amnesia”. Foi um projeto formado através da “ICMP”. Como é estar num projeto com integrantes com outras culturas e outros modos de ouvir e sentir a música?


Hello Amnesia surgiu precisamente de jam sessions da ICMP. O baixista é o único inglês. O vocalista é de Wales, guitarrista da Turquia e o teclista de Itália. Apesar de não haver uma grande diferença de cultura musical dentro da banda, todos temos influências diferentes e todos temos projetos paralelos de metal, música progressiva, r&b ou country.

Sem dúvida que é interessante como apesar de termos origens tão diferentes, encaixamos na perfeição a tocar todos juntos.

[LD]: Como foi o feedback das pessoas que estavam contigo, quando começaste a mostrar o talento que levaste do nosso país?

Foi bom. Não é fácil destacares-te aqui. Há sempre um baterista mais novo, a tocar mais rápido, a tocar melhor, a tocar com mais groove do que tu. Mas no geral acho que outros músicos sentem-se confortáveis a tocar comigo e gostam de tocar comigo, e isso para mim é o mais importante.

[LD]: Podes partilhar os teus planos em mente para o futuro? Tens ideia em voltar a Portugal?

MUITOS PLANOS PARA VIR!!! Tenho muita coisa em andamento: Hello Amnesia está a gravar o primeiro disco, já lançamos o primeiro single chamado Mr. Mouse. Gostava de dar concertos com eles em Portugal no próximo verão. Estou a começar a gravar o meu próximo disco a solo. Provavelmente vou regravar algumas das músicas do meu EP e relançar neste próximo album. Ainda tenho temas instrumentais na gaveta que quero continuar a trabalhar para lançar no futuro e tenciono começar a fazer mais concertos ao vivo como artista a solo.

Estou neste momento a tocar e gravar com vários artistas como músico contratado. Paradigma lançou o EP “Lusco” e já estamos em processo de gravar “Fusco”; que será o próximo Definitivamente quero ter sempre um pé em Londres, e tenciono manter-me por cá depois de acabar a universidade.

O resto vamos vendo, dependendo de como a vida corre e das oportunidades que vão surgir.

[LD]: Imagina que sou um baterista que se quer mudar para UK e estudar. O que recomendas?

Só vale a pena vires se tiveres força de vontade para trabalhar sozinho e cabeça para te manteres focado. Não posso deixar de insistir, não vale a pena vir para aqui na expectativa que é a universidade que vai fazer de ti um músico bem sucedido.

Quando cá chegares procura tocar com o máximo de malta que conseguires e os mais variados géneros de música possíveis. É assim que se melhora e é assim que fazes contactos de trabalho futuros. Mesmo quando tocas com malta que talvez não esteja no mesmo nível que tu, há sempre coisas a aprender.

[LD]: “Another Broken Marriage” é teu EP de Estreia! Qual foi a tua principal motivação para a criação deste trabalho?

Em Paradigma quem compõe é o Araújo e o Monteiro, em Sardinha Também É Peixe é o André Barbosa e eu queria apresentar uma faceta diferente de mim. Surgiu a vontade de começar a estudar mais piano e o primeiro lockdown foi o timing perfeito para explorar o meu lado criativo. Inicialmente a ideia era fazer temas instrumentais mas à medida que fui compondo mais temas, comecei a ter mais musicas com letra e aproveitei para lançar essas. Fui fazendo sem qualquer compromisso e gostei da experiência, encontrei uma equipa muito boa com quem quero trabalhar, o feedback foi positivo, por isso.... Porque não fazer mais?

Nunca posso falar do EP sem falar do André Soares. É um grande amigo, que neste momento é o guitarrista da Cláudia Pascoal, que me ajudou a gravar o EP e ainda fez arranjos que melhoraram os temas a 1000%. Ele esteve a tocar comigo nos concertos que dei em Portugal a apresentar o EP e é alguém com quem quero trabalhar sempre que possível e recomendo-o a qualquer artista que precise de um guitarrista.

[LD]: Como é ser baterista e ter um projeto a solo? Quais os teus principais conselhos para pessoas que estão a querer seguir o mesmo caminho?

Cria. Se não tens qualquer noção de harmonias e melodias pode ser mais complicado mas há muitos bateristas que compõem musica. Não esperes que a tua primeira música vá ser uma grande coisa mas não desanimes e vai compondo. Tu vais sentir quando uma música tiver pernas para andar.

[LD]: Queres fazer algum agradecimento em especial?

Como é óbvio o maior obrigado vai para os meus pais. Primeiro por todo o apoio que me deram desde miúdo e segundo por apesar de ter poupado um bom dinheiro antes de vir para cá, eles ainda me dão apoio a nível financeiro.

Obrigado aos meus avós por me deixarem transformar o salão deles numa sala de ensaios e me deixarem estudar e ensaiar lá desde que comecei a tocar.

Um obrigado ao João Rafael e ao Diogo Leite, são os dois grandes pilares do músico que sou hoje por razões completamente diferentes. Obrigado ao André Soares por se ter dedicado tanto em me ajudar a lançar este EP.

Um ultimo obrigado ao Mulele Matondo, um dos muitos amigos que fiz depois de me

mudar para UK. Ele não faz ideia do quanto me ensinou apenas por tocar comigo e por

me dar dicas para progredir






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