A ACENDER A PAIXÃO PELA BATERIA E PERCUSSÃO EM PORTUGAL

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  • José Luís Dias

Lançamento do álbum "À porta de casa" dos Daguida no Cineteatro António Lamoso [ENTREVISTA]



Foto por José Dias / LD



Yuran, Gecko e Koala, são Bruno Santos, João Pedro Oliveira e António Serginho membros dos Daguida e concederam-nos uma entrevista onde nos falam sobre o projeto Daguida, e toda história por detrás dos processos de composição e o papel da percussão na músicas da banda.


Apresentaram-se no passado dia 16 de Abril no Cineteatro António Lamoso, para o concerto de apresentação do do álbum "À porta de casa" com os Retimbrar, num concerto em conjunto onde a percussão foi o mais presente em todos as músicas! Eis a entrevista completa:


[LD]: Quais são as expectativas para este concerto?


[Yuran] "Iniciar o nosso percurso longo e com sucesso. Relativamente ao nosso álbum, o nosso

álbum chama-se “À Porta de Casa” e estamos aí para fazer a festa com os nossos amigos e fãs"


[Koala] "Expectativa de nos tentarmos profissionalizar mais a banda que existe há tanto tempo, mas é o primeiro disco, e queríamos ver se a partir daqui se seguimos para outro patamar, se tocamos mais, se nos conseguimos singrar.


[Gecko] "É um momento pelo qual sempre desejamos que chegasse e que acaba por ser fundamental para uma banda, estarmos aqui com anos de história mas com vontade de começar outra vez. E hoje é um dia de festa, foi uma data que sempre procuramos e em que vamos dar tudo. E o mais importante será sempre o próximo jogo, este já é um grande jogo,

algo da Champions League"


[LD]: Como é que é voltar aos palcos depois de uns tempos de pandemia?


[Yuran] "Este concerto acaba por ser mesmo um voltar grande, porque já estamos a preparar esta atuação há algum tempo. Está pronto, as pessoas também estão curiosas, querem ouvir e temos muita vontade que as pessoas adiram à nossa música e que seja espalhada por Portugal e pelo mundo.


[Koala] "Se calhar por um lado, a pandemia atrasou o álbum que tínhamos começado a trabalhar, empacou durante 2 meses. Depois de um tempo a apurar e gravar, ver as coisas com mais cuidado e poder estender as gravações durante quase 2 anos. Se calhar se não tivesse havido pandemia e o álbum tivesse saído, não estaria tão bom como nós pensamos que está agora, se calhar até deu jeito."


[Yuran] "Sim, no geral até, muitas bandas a nível mundial melhoraram os seus álbuns porque tiveram este tempinho, durante a pandemia. Em pandemia, as bandas colocaram-se em estúdio e foram melhorando sempre os seus álbuns e pronto, é uma informação que no geral é conhecida."


[LD]: Como banda coletiva, qual é a importância da percussão na vossa música? Mais precisamente, neste álbum.


[Gecko] "A percussão é o ritmo, é o bater do coração, sendo a base a bateria, o baixo. A percussão é ritmo e melodia, duas coisas que fazem a música. Não há nada mais importante que isso."


[Yuran] "Eu quando comecei a gostar de tocar, comecei pela guitarra e depois virei-me para o jambé e cantava. E a percussão faz parte do meu percurso também, sendo essencial numa banda como a nossa ter ritmo e somos um bocadinho "world music portuguesa" e acho que faz todo o sentido a percussão, embora haja uma ou outra música em que não seja tão essencial mas dá muito jeito."


[Koala] "E dá muita vida, não é?"


[Gecko] "Sim, eu agora por exemplo no “Queijo” quando senti ali o jambé, senti “ya, ali a

música vai sentir”.


[Yuran] "A percussão acaba por fazer as pessoas dançar porque se eu for

para ali tocar guitarra e cantar, ok, as pessoas podem apreciar a letra e a música mas

dançar vai ser difícil fazer com que as pessoas dancem e a percussão tem esse efeito nas pessoas."


[Koala] "É sempre o ritmo por exemplo da bateria que faz o estilo, à medida que a bateria vai emitindo um som, pode corresponder a um género de disco, como depois do jazz e varia muito. A bateria define qual é o estilo daquela música e depois as melodias definem qual é o mood, mas o ritmo é a cara da música quase."


[LD]: Qual é o vosso processo de composição?


[Yuran] "O nosso processo de composição é simples, é deixar fluir. Algumas são assim:

improvisar, tocar e ver no que dá. Algumas são com uma viola e escrever uma letra e compor uma melodia."


[Gecko] "Isso acaba por ser mais frequente e grande parte das músicas, foram escritas e compostas pelo "Yuran". mas é muito frequente também ele ter uma frase ou uma melodia e depois traz para a banda e nós compomos e desenvolvemos e tentamos criar uma estrutura."


[Koala] "Nos últimos tempos também tivemos uma abordagem diferente, mesmo quando estamos a tocar, há uma maneira de trazer à música ou mesmo quando estamos a tocar ou o exemplo de outras músicas que são feitas a gravar. Gravou-se a guitarra então já não tocamos todos juntos. Por exemplo, agora vamos gravar o teclado. Aliás algumas músicas até do disco foram construídas já a gravar e não a tocar. Algumas músicas que tocamos hoje, não as tocamos antes de as gravarmos.


Mas outras foram gravadas peça a peça, descobrindo as melodias e o papel de cada um e só depois é que as tocamos em banda, isso nunca tinha acontecido antes.


Eu por exemplo, música que já tocava, bateria e baixo e gravei tudo e depois regravei tudo porque se fosse também a tocar bateria, não conseguia chegar lá a tocar tudo ao mesmo tempo. E agora tive o trabalho contrário que é vamos ver como é que se toca com isto tudo junto porque nunca tinha tocado assim tudo junto."


[Yuran] "Para quem não conhece e não sabe o que é que ele quer dizer com tocar bateria e baixo, convém mesmo vir assistir a um concerto nosso ao vivo. É engraçado porque o nosso baterista, toca bateria e baixo porque faz o baixo no teclado, é fora da caixa.

Foi eu que sugeri porque sei que ele tem mãos, pés e cabeça para isso.


[Gecko] "E a propósito de composição, isto já entraria numa segunda leve mas no outro dia estivemos juntos, tínhamos acabado de gravar o álbum há pouco tempo, o “Tempos de Criança” e houve um dia que convidamos para estar juntos, estamos a ensaiar e depois fomos jantar e a seguir a jantar, dissemos "epa era sábado de noite, vamos um bocadinho para a sala e vamos fazer aquilo que já não fazemos há algum tempo"... e a verdade é que entramos ali e começamos a tocar às 11h e depois eram 6h30 e "epa já parece mal", mas o tempo passou a correr, tocamos e epa surgiu-nos uma coisa que até nunca abordamos e achamos interessante que nós nos sentimos confortáveis em qualquer estilo e que até procuramos isso. A gente tem que sentir que aquilo bate de uma maneira ou de outra mas compor é o mais fixe e aqueles momento de viola e de composição, é quando está a brutar, é quando está a "pingar da fonte" e entre aquele momento que começam a compor a música e fica pronto e estás a tocar com aquela pica, se conseguires fazer o registo muito próximo daí. O nosso objetivo estará em cada vez mais encurtar o processo entre compor e gravar e às vezes até poder realmente fazer e estar a gravar e a compor algumas partes que provavelmente já possam integrar.


[Koala] "Sim, daquelas músicas eletrônicas, já fazemos isso porque já estamos habituados"


[LD]: Têm aqui os dois projetos juntos neste concerto! Como é a "viagem musical e

criativa" entre os dois projetos? Quais são as principais diferenças?


[Koala] "São diferentes. Os Daguida já vêm de há muito tempo, foi a minha primeira banda já desde os 15 anos e que tem muito a ver com eles os dois, da forma como eles cantam e o humor que tem as letras e depois os estilos das músicas vão variando consoante nos apetece e consoante a piada da música. Nós temos coisas de disco, coisas de afro, de muitos estilos diferentes e acho que o ponto comum é o humor porque os estilos das músicas vão mudando.


[Gecko] "O humor e oratória porque pode haver músicas onde não existe propriamente o humor mas a maneira como a gente fala, conseguimos meter o “dedo na ferida” mas não queremos que ninguém se magoe, mesmo quando abordamos assuntos mais sérios, acho que não é com aquela coisa de raiva ou “ficamos cozidos”. É de dar a volta, é de mudança e acho que também nós temos esse lado provocador. E vamos a vários sítios e estamos à vontade, seja um estilo mais popular ou o que quer que seja porque achamos que também podemos contribuir um pouco para quebrar certos preconceitos e encontramos pontos comuns dos músicos, a alegria que trazem independentemente do estilo. Eu acho que os estilos têm que se abraçar mais um bocadinho e nós temos que contribuir um bocadinho para isso porque estou a imaginar, nós por exemplo por termos uma música eletrônica começamos a ter algum público que comece a vir por causa dessa vertente, às tantas pode ouvir outro género e isso é sempre interessante."


[LD]: Como surgiu o conceito dos Daguida?


[Gecko] "A banda começou a 19 de janeiro de 2000, o "Yuran" começou a cantar uma música, nós sabemos o dia porque fomos ao McDonald's e era véspera de feriado municipal e depois o pessoal tocava todo: eu e o meu irmão, tínhamos o nosso quartinho e ao lado é que era a nossa casa e basicamente nós estávamos sempre juntos, nós não marcamos ensaios, nós éramos amigos e estávamos juntos e depois começamos a tocar e passado 3 meses já estávamos a dar um concerto no Cálix e depois acho que os nossos estilos e as nossas músicas sempre foi uma coisa muito para a frente, no sentido de não haver grandes receios e de entrarmos com um à vontade em palco que as pessoas e as pessoas sentiam logo também que ficavam à vontade e sempre se criou grandes ambientes nos nossos concertos.


Depois no que diz respeito ao conceito, nós agora à medida que queremos seguir em frente temos que criar sustentável, porque isto tem que ter sustentabilidade na nossa profissionalização, eu acho que fomos obrigados a pensar um bocadinho em como é que vamos então descrever, ver aquilo que fomos criando de forma espontânea. O conceito não foi uma coisa inventada, nós tivemos que nos definir, era como se agora tivéssemos 18 anos e nos perguntassem o que é que somos? que tipo de pessoa somos?


O conceito dos Daguida é um conceito democrático como se fosse do António, do Joaquim, um sentimento forte e agora durante este tempo desenhamos as coisas de uma forma mais concreta. As próprias músicas também limamos mais, tentamos ser "esquizofrênicos" no sentido de conseguirmos chegar às pessoas de forma mais eficiente."


K - "No fundo não foi uma coisa premeditada, o que surgiu é tu curtires ou não curtires e depois para quem é de fora consegue mais avaliar e segmentar do que propriamente para nós."


[Koala]"Pelo menos de minha parte, no início do projeto nós chegamos a participar em concursos de música e a postura que eu tinha sempre nesses concertos era, nós vamos para lá, quem gosta gosta, quem não gosta, temos pena então isso passa uma mensagem mas é como o Sérgio estava a dizer, não foi nada premeditado.


[Gecko]"Eu acho que essa segurança em palco que tu falas, esta atitude de que tu falas, o que costumam falar que é a tal 4ª parede que está ali o público e os artistas e há assim um bocadinho aquele distanciamento, connosco a coisa desvanece, há uma aproximação entre nós e o público."


[Yuran] "Acho que é muito importante essa interação com o público porque no final, o público é que vai ver o concerto. Se não tivermos público a gostar de nós, acho que preservamos sempre essa atitude de estarmos ligados à audiência e depois também somos amigos e divertimo-nos. Também temos situações como todas as bandas, mas essa amizade entre a banda passa para fora."


[Gecko] "E é um privilégio pensar que somos amigos e estamos aqui, temos um projeto, estamos a tocar os 3 para a frente já há algum tempo. É fixe, é eficiente, é democrático, às vezes não estamos os 3 de acordo mas a coisa evolui na mesma e é um exercício interessante porque mesmo nos valores, somos todos parecidos, no sentido de sermos pessoas fraternas."

É bom termos um projeto que gostamos tanto e com os nossos amigos e de gostarmos das pessoas e não haver aquela confiança de nos conhecermos há muito tempo. Mesmo os músicos que vêm tocar connosco sentem essa fraternidade.


[LD]: O que é que vem a seguir para os Daguida?


[Yuran] - "É continuar e ainda temos um projeto paralelo, onde vamos lançar outras coisas, singles, etc.


[Gecko] "Nós para os videoclips temos as ideias e acho que há uma componente de humor forte que onde pensamos que até pode vir a ser explorada no sentido do projeto Daguida abranger um bocadinho mais do que só os espetáculos ou então, como já fizemos produzir músicas por encomenda, para as mais variadas situações mas nós queremos é dar-lhe, queremos é continuar e tocar"

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