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A ACENDER A PAIXÃO PELA BATERIA E PERCUSSÃO EM PORTUGAL

  • José Luís Dias

"a pior parte, é estar longe e as vezes perder alguns marcos importantes das pessoas" | carlos silva

O baterista e o instrumento são o foco principal, mas existe um mundo muito mais complexo para além disso. Carlos Silva, baterista de CRUELIST e drum tech/roadie de Pedro Martins ( Pedro Abrunhosa ) e demais variados projetos, concedeu-nos uma entrevista onde explica um pouco do dia-a-dia sobre o seu trabalho muitas vezes deixado de lado.

LD: ANTES DEMAIS OBRIGADO POR TERES ACEITADO O NOSSO CONVITE! FALA-NOS

UM POUCO SOBRE TI E SOBRE O TEU PERCURSO COMO BATERISTA, E COMO

SURGIU ESTA PAIXÃO PELA BATERIA?


C: Obrigado eu pelo convite malta! Sou o Carlos, tenho 24 anos e desde novo que a música está presente na minha vida. O meu pai toca guitarra desde que eu me lembre, o meu irmão também começou a aprender guitarra quando era novinho. Algures em 2003 ou 2004, houve um concerto na fnac, e o meu irmão foi pedir as baquetas ao baterista e então ofereceu-mas. Claro que desde então, aquele clássico de começar a bater nos tachos e em tudo que fazia barulho, o normal.


LD: LEVA-NOS PARA UM TÍPICO DIA DE ESTRADA, O QUE ACONTECE?


C: Então, um dia de estrada começa bem cedo. Começamos por carregar a carrinha com todo o backline e seguimos para o destino. Ao chegar, descarregamos tudo da carrinha para o palco e vamos almoçar para depois podermos montar tudo sem parar. Montar, limpar, (afinar se for preciso), pôr tudo no sítio para o artista se sentir confortável, para quando chegar, é só sentar no trono. Seguimos com o soundcheck, tratar das águas em palco, toalhas... de todos os pequenos pormenores, e seguimos para o jantar. Vem o concerto, dar assistência durante todo o concerto, desmontar, arrumar, e carregar tudo de volta na carrinha e ir embora.


LD: ESTAMOS A PASSAR UMA FASE MUITO DÍFICIL COM IMENSOS CONCERTOS E

ESPETÁCULOS CANCELADOS OU ADIADOS. COMO FAZES PARA PASSAR ESTE

TEMPO? PRATICAR NA TUA BATERIA?


C: Sim estamos numa altura muito complicada, mas parar é morrer. Então estar ocupado, a aprender mais sobre a nossa área, praticar bateria, fazendo alguns trabalhos fora da área para sobreviver. Não parar.


LD: É UM TRABALHO DE MUITA RESPONSABILIDADE CERTO? QUAIS SÃO AS

PRINCIPAIS RESPONSÁVEIS COMO DRUM TECH?


C: As principais funções de um drum tech/roadie é basicamente tratar da bateria. Se o artista te diz que é preciso trocar as peles, trocas as peles e afinas, ou se calhar quer ser ele a afinar, por isso uma pequena afinadela apenas. Colocar tudo no sítio certo, nas posições certas, programar o metrónomo, assistência durante o espetáculo, hmm, basicamente o artista só tem de tocar. O nosso trabalho é facilitar-lhes a vida, por assim dizer.


LD: IMAGINA QUE UMA PELE FURA? O QUE ACONTECE?


C: Depende de que pele for. Se for tarola, é preciso trocar pela tarola spare, e então trocar a pele da tarola principal. Normalmente tenho uma camada de fita gaffer pronta para se rebentar a pelo do bombo e aplicar enquanto ele toca. Mas depois convém trocar a pele, ou a banda espera um bocado e vão tocando outras musicas sem bateria ou então o concerto continua e tenho de estar com o triplo da atenção ao bombo.


LD: QUAIS SÃO OS MELHORES E PIORES ASPECTOS DE ESTAR EM TOUR/ESTRADA?


C: Eu diria que a pior parte de estar na estrada, é estar longe e as vezes perder alguns marcos importantes das pessoas próximas de nós. A melhor parte, hmmm é estar a fazer o que se gosta. Acho que não conheço ninguém que trabalhe nesta área que não gosta do que faz.


LD: QUAIS SÃO AS PRINCIPAIS LIÇÕES QUE TIRAS DESTE TRABALHO?


C: Trabalho de equipa e aprender um bocado sobre tudo que está a acontecer nesta área.


LD: QUAL É O PRINCIPAL CONSELHO QUE DÁS A QUEM QUER SEGUIR POR ESTE

CAMINHO PROFISSIONALMENTE?


C: Aconselho a terem sempre a chave de bateria, ou uma elétrica para conseguirem trocar as peles bem mais rápido, estar sempre atento a todos os detalhes e tentar estar sempre com boa disposição... é importante!


LD: ALGUM AGRADECIMENTO ESPECIAL?


C: Quero agradecer a todos que me ajudaram até aqui, Planet Core, In Rock We Trust, Roadies D.C., todos a quem eu acompanho na estrada, ao Pedro Martins e ainda à União Audiovisual pela ajuda nesta fase mais complicada! E claro à LusoDrums por esta oportunidade!


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